Romance épico
uma questão de química
Ontem, ouvindo um dos infinitos playlists do Spotify da turnê do My Chemical Romance pela América do Sul, peguei meu caderno de rascunho e comecei a rabiscar algumas partes das músicas que eu gosto mais. Escrever à mão é um bom exercício se você quiser memorizar algum texto, então fui colocar no papel alguns refrões das músicas do show que eu iria assistir naquela noite.
Achei muito propício a banda se apresentar em São Paulo na boca do Carnaval. Além do show em si ter todo um lado teatral, com fantasias, bonecos e robôs, pirotecnia e uma narrativa que envolvia os músicos e o elenco de apoio da Black Parade, o público veio mais fantasiado que muito bloco de rua. No meio da pista, eu me sentia nessa mistura de carnaval com Halloween. Depois do show, quando a multidão caminhava pelas ruas interditadas ao redor do Allianz, parecia que estava todo mundo andando em direção a uma flash mob do Thriller, do Michael Jackson.
Eu não fui ao show do My Chemical Romance em 2008. O Bá já estava trabalhando com o Gerard no Umbrella Academy, mas minha namorada na época era muito ciumenta e não entendia porque eu iria a um show de uma banda que eu nem conhecia direito e não queria que eu existisse nesse mundo do backstage dos shows de música – só putaria, ela devia achar. Existe realmente uma conexão mágica entre um artista – seja ele músico, ator, ou mesmo quadrinista – e o público que seu trabalho alcança, mas eu entendi logo, muito vendo na prática como o Gerard lidava com seu público nas convenções em San Diego (e também na CCXP aqui em São Paulo), que o trabalho do artista ilumina algum canto escuro da vida das pessoas, mostra a elas mesmas que elas tem sentimentos, que elas sentem, que elas vivem, e que não tem problema em ser quem elas são, e assim o público busca essa oportunidade de expressar, da maneira deles, o quão importante é a nossa arte na vida deles.
“Nós gostamos de arte porque nos ajuda a lidar com nossas questões”, disse ontem o Gerard entre uma música e outra, antes de surpreender o Bá e eu falando sobre essa relação especial que o Bá e ele tem construído pelos últimos vinte anos, e dedicando uma música pro Bá cujo refrão era “I miss you, so far”.
Nós também sentimos a sua falta, Gerard. Bem-vindo de volta ao Brasil.
Let’s make some noise.
Cuidem uns dos outros, com gentileza e curiosidade.
Pa-ZOW!
Fábio Moon
Base Lunar, São Paulo
6 de Fevereiro de 2026





All my favourite people, doing all my favourite things. Não seria quem eu sou sem música e sem quadrinhos, sem o MCR e sem você e o Bá. Estou longe demais do Brasil pra ter comparecido mas senti que meu coração estava pulsando ali naquele estádio também.
Gritei muito quando ouvi o Gerard falando sobre vocês. Já tem uns anos que eu acompanho o trabalho de vocês nas redes sociais, você e o Gabriel Bá merecem o mundo!