Estilo
quão maleável é o seu?
Olhei para o topo dessa página da Dark Horse – os editores nos mandaram diversas páginas para cada projeto com o passar dos anos, e ainda temos muitas – e fiquei pensando no anúncio dessa semana de que o Mike Richardson, presidente da Dark Horse, saiu (foi despedido?) da editora que ele fundou, e do que isso vai significar para a editora e para todos os autores que tem ou terão projetos publicados por lá.
Mais especificamente, fiquei pensando nessa página que eu estou desenhando, de uma história que eu fiquei com vontade de fazer sem nenhuma editora em mente, e se, quando chegar a hora de encontrar a editora, a Dark Horse ainda será uma opção.
Espero que seja.
Estilo de vida
“tudo o que eu sinto, eu ponho no papel.”
Estava pensando nos estilos das minhas histórias e como eles são percebidos. Essa reflexão veio a partir de um email que minha editora mandou sobre mudanças num desenho.
Arte é uma forma de expressão. O que expressamos são ideias e sentimentos, esperando que nas nossas escolhas estilísticas, essas ideias e sentimentos, sejam passados adiante, sejam entendidos e causem alguma reação no leitor/espectador. Para toda casualidade da criação espontânea, existe uma série de escolhas conscientes em relação à maneira com que eu coloco minha arte no papel, porque o que está no papel é a minha visão, a minha versão daquele acontecimento, daquele sentimento, daquele momento em que aquela emoção partiu de dentro de mim para ser exposta ao mundo.
Eu escolho as palavras que eu vou usar porque elas carregam a verdade dos sentimentos que eu quero transmitir.
Eu escolho as linhas que eu vou desenhar, porque as imagens carregam uma responsabilidade ainda maior, mais íntima, de mostrar algo meu que não é dito, uma relação com o mundo que é gestual e instintiva.
Uma das maiores qualidades dos Quadrinhos em relação a outras formas narrativas é poder “escrever o silêncio” e falar sobre sentimentos sem o uso das palavras, exigindo do leitor o uso de outros sentidos, numa leitura mais atenta às camadas narrativas daquilo na vida que não é dito, mas ainda assim está lá.
mais alto, mais longe
o Facebook me lembrou desse desenho de 2019 que eu fiz sobre meus amigos que foram à premiere em Los Angeles do primeiro filme da Capitã Marvel.
•higher- O Jamie McKelvie, que começou a publicar na Image Comics (junto com o Kieron Gillen) na mesma época que eu e o Bá começamos a fazer o Casanova com o Matt Fraction, e com quem dividimos espaço na mesa da Image por pelo menos dois anos na convenção de San Diego, foi o responsável pelo visual da Carol Danvers na fase do gibi que inspirou o filme. Em 2010, quando fomos participar de um festival literário no Southbank Centre em Londres, chamamos o Jamie para ser nosso entrevistador/mediador.
•further- A Kelly Sue DeConnick escreveu a fase do gibi que revitalizou a Capitã Marvel e serviu de principal inspiração para o filme. Ela é casada com o Matt Fraction e temos acompanhado o seu sucesso desde 2005. Ela já veio para o FIQ, em Belo Horizonte, e tenho certeza que inspirou toda uma geração de leitoras e autoras brasileiras a lutarem pelas suas histórias.
•faster- Gostei do detalhe dos brincos da atriz Brie Larson, com as estrelas que são o símbolo da personagem (a Kelly Sue usou um pingente com a mesma estrela).
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Um outro desenho que eu fiz daquele dia retrata Kelly Sue junto com Matt e seus filhos. Todos vestidos como se fossem uma equipe de super-heróis (um misto de Quarteto Fantástico com Os Incríveis) da vida real.
One Piece
Comecei a ler One Piece. Desde criança tenho uma queda por histórias de pirata. Fiquei curioso com a série da Netflix, então resolvi ler o original também.
Cuidem uns dos outros, com gentileza e curiosidade.
Pa-ZOW!
Fábio Moon
Base Lunar, São Paulo
6 de Março de 2026






