Carnavalizando
os tambores e o barulho do mar
Faz muito tempo que não fujo para a praia no Carnaval. Seja simplesmente para ficar na minha, debaixo de uma sombra, ouvindo somente o barulho do mar, seja atrás de agitação e companhia de amigos e amantes como já fiz em praias como pouso da Cajaíba, Guarda do Embaú, Caraíva, Morro de São Paulo e Boipeba, ou seja para fazer pesquisa para o segundo capítulo de Daytripper, quando viajamos para Salvador para acompanhar as celebrações do dia de Yemanjá no Rio Vermelho, e justo nesse ano, em 2008, o dois de Fevereiro coincidiu com o Carnaval e acabamos pipocando pelo circuito Barra-Ondina atrás do trio Expresso 2222 do Gilberto Gil.
Meu computador quebrou nesse último dia 2 de Fevereiro, então o desenho que eu fiz para o dia de Yemanjá só aparece numa cartinha agora – tirei uma foto rápida no dia, do traço em lápis, e coloquei no Instagram pra não passar batido, e é por causa dele que lembrei desses outros Carnavais praianos, já que nos próximos dias vou ficar em São Paulo, dançando em alguns bailes, mas aproveitando esses dias pra trabalhar um pouco.
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Recebi hoje um email pra lembrar que eu precisava escolher quatro candidatos para entrar na votação do “Hall of Fame” do Eisner Awards desse ano. Escolhi três autores vivos e um que faleceu dois anos atrás.
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O Cárcamo está abrindo as turmas presenciais de aula de aquarela desse ano. As aulas, uma vez por mês, vão de Março até Dezembro, e eu recomendo o curso dele com toda minha força. Além de desmistificar o uso da aquarela e propor exercícios práticos e deliciosos, a gente aprende muito cada vez que a gente pode observar ele fazer uma demonstração de aquarela durante a aula pra exemplificar algum conceito.
Ele vai abrir quatro turmas, pra atender desde quem quem quer começar do zero até quem está num nível mais avançado.
Ter feito o curso de aquarela com o Cárcamo por volta de 2007ou 2008 mudou o jeito que eu e o Bá colorimos muitos dos nossos trabalhos. As cores do Daytripper mesmo só tem essa cara porque fizemos dezenas de aquarelas preparatórias para a história e mandamos esse material para o Dave Stewart, que fez as cores do livro (no Photoshop) com essa sensibilidade da aquarela na cabeça.

sexta feira 13
Sexta feira 13 me lembra histórias de terror, e então penso em PIXU, nossa história de terror (feita junto com a Becky Cloonan e o Vasilis Lolos durante 2008). Inspirados pela ideia de que histórias de terror são divertidas de desenhar em preto e branco, e determinados a explorar os recantos mais sombrios da alma humana sem o filtro de uma editora que precisasse aprovar o material (PIXU foi feita de maneira independente e publicada inicialmente em duas partes nos EUA), acho que fizemos um quadrinho tão perturbador que deixaria Junji Ito ou Suehiro Maruo orgulhosos.
Penso nessa história quando passo pela General Jardim, em Higienópolis, e vejo a casa que serviu de inspiração para nossa casa amaldiçoada. Tiramos diversas fotos na época e mandamos pra Becky e pro Vasilis, pra garantir que todos desenharíamos a mesma casa.
Bom carnaval pra vocês.
Cuidem uns dos outros, com gentileza e curiosidade.
Pa-ZOW!
Fábio Moon
Base Lunar, São Paulo
13 de Fevereiro de 2026



